Uma História de Amor

Caderno de Memórias Coloniais é a "história de uma rapariga que vivia em Lourenço Marques, hoje Maputo, e onde a cor da pele era factor de discriminação".

A obra "é uma história de amor e de ódio entre pai e filha. É também a história de alguém que se sente desterrada, abandonada. Há também uma espécie de iniciação à vida adulta".

Foram estas as palavras da autora, para explicar o seu segundo livro publicado, que tanta curiosidade tem despertado na sociedade em geral (já vai na 3ª edição) e na comunidade educativa em particular. É o livro mais procurado na Biblioteca Escolar, mas que aguardava a apresentação de Isabela Figueiredo para depois ser disponibilizado aos alunos. E porquê este pudor?

Porque, como a própria escritora reconhece, "é um livro forte, violento, com uma linguagem por vezes brutal", recurso estilístico de que a narradora precisa para traduzir a violência. "A linguagem da bolinha vermelha não é gratuita. Como se fosse uma hipérbole”, explica. "A linguagem é hiperbólica".

Isabela Figueiredo, pseudónimo literário de Isabel Figueiredo Santos criado com base num anúncio de um perfume, clarificou e exemplificou as vozes que surgem na sua obra: "A voz que se exprime na 1ª pessoa é a minha narradora".

Tal como já esclarecera os leitores aquando do lançamento do seu livro na Fnac Almada, em Janeiro de 2010, a escritora partilhou o quanto o silêncio lhe é caro no acto da escrita, perscrutando vozes dentro de si, várias vozes, da narração à reflexão, num acto de omnisciência que espelha os pensamentos das personagens.