Biblioteca Escolar

Era uma vez um povo de marinheiros e de heróis

“Era uma vez um povo de marinheiros e de heróis, o povo português, o nosso povo, que já lá vão muitos anos – mais de quatrocentos – quis descobrir o caminho marítimo para a Índia. A Índia aparecia então, aos olhos de todos os Europeus, como terra de esplendor e de riqueza, que todos os homens desejavam, mas onde era difícil, quase impossível chegar.”

“Vénus, a Deusa da Beleza e da Ternura, que sempre os estimara e protegera, queria premiá-los dos seus esforços e canseiras. E, por isso, conduziu as naus a uma ilha formosa e acolhedora, que se chamava Ilha dos Amores”.

“Tão atraente era a vista dessa ilha maravilhosa…”
“– Foi no palácio de Tétis o grande banquete.”

OS LUSÍADAS DE LUÍS DE CAMÕES contados às crianças e relembrados ao povo, adaptação em prosa de João de Barros, ilustrações de André Letria, Sá da Costa Editora/Expresso, col. Clássicos da Humanidade
lusiadas_joao_barros.jpg

Para além da adaptação em prosa de João de Barros, a grande epopeia portuguesa está disponível na Biblioteca Escolar (BE). Existem diversos exemplares de Os Lusíadas (edição escolar), adquiridos expressamente com verba atribuída pelo Plano Nacional de Leitura. Destinam-se a consulta e a empréstimo para a sala de aula.
Professores e alunos poderão fazer a requisição na BE antes da aula de Língua Portuguesa e devolver os exemplares no final.
joodebarrososlusadaslembradosaopovoecontadosscrianas.jpg

O Diário de um Banana e outros diários

O Diário de um Banana, editado em Portugal em 3 volumes, tem sido não só um sucesso de vendas como um sucesso de leitura na nossa biblioteca. As aventuras de Greg e da sua família (em especial o irmão Rodrick, que deu lugar ao 2º volume) nunca estão nas prateleiras, o que é bom sinal.
 
O Diário de um Banana 3, A última gota conta o dia-a-dia de um rapazinho com dificuldade em acordar de manhã para ir para a escola (para mais quando tem de ir a pé), a decepção com os presentes de Natal, a dificuldade em praticar Educação Física e como a consegue vencer...
A Biblioteca Escolar tem também disponível um título em inglês: Diary of a Wimpy Kid - Dog Days. http://challengingthebookworm.files.wordpress.com/2009/11/diary-of-a-wimpy-kid-dog-days.jpg
Outros diários de adolescentes, igualmente divertidos:
http://www.anossaescola.com/sardoal/imagens/biblioteca/diario%20secreto%20de%20adrian%20mole.jpg
http://portuguesonline.no.sapo.pt/getimage.jpg

Não é fácil ser adolescente

O Diário de um Banana 3 - A última gotaO Diário de um Banana 3 - O Rodrick é terrívelO Diário de um Banana

O Senhor Swedenborg e as investigações geométricas

http://www.editorial-caminho.pt/cache/bin/XPQED717F10302FED61E13AEZKU.jpg
“O senhor Swedenborg acabara de sair da sala onde o senhor Brecht costumava contar as suas histórias (tempo em que o senhor Swedenborg aproveitava para as suas investigações sobre astronomia), e dirigia-se agora, a passo rápido para não chegar atrasado, a mais uma conferência do senhor Eliot. Conferências essas que o senhor Swedenborg aproveitava para se concentrar mentalmente nas suas próprias investigações geométricas.”
                                                           Gonçalo M. Tavares, in O Senhor Swedenborg e as investigações geométricas, Caminho 
 
Um livro que cruza conceitos filosóficos com figuras geométricas, com sentido crítico e humor, apelidando à reflexão.
 
Vejamos, por exemplo, a geometria da sedução:
 
1. O que é a sedução?
2. Um ponto que caminha à frente de um quadrado. É isto a sedução
3. O que é ser seduzido?
4. Os ângulos rectos ganham formas curvas. É isto ser seduzido
5. O que é ser seduzido?
6. Ser seduzido é perder a forma original (…)
 
O texto é de Gonçalo M. Tavares, escritor português, vencedor de vários prémios literários, em Portugal e no estrangeiro, e cujas obras estão a ser editadas em mais de vinte países; os desenhos são da autoria de Rachel Caiano, artista plástica e ilustradora, que recebeu o Prémio Jovens Criadores 2007, na área da ilustração.
 
A colecção O Bairro, de GMT, está publicada na Caminho.

Uma noite não são dias, de Mário Zambujal

http://2.bp.blogspot.com/_x4R_UH_WhZI/StzqWC4bsrI/AAAAAAAADvg/gi4qdMAJfK4/s320/uma+noite.jpgFaça uma viagem até ao ano de 2044 e conheça uma novela com episódios rocambolescos de paixão e de cariz policial. Imagine-se a viver num prédio com perto de cem andares, com heliporto, e numa sociedade em que as actuais redes sociais do Twitter ou do Facebook já estão obsoletas, já passaram à história.
Numa escrita escorreita, apesar dos neologismos e novos grafismos como “helijequingue” ou “setrece”, Mário Zambujal recria um universo no futuro, com um pano de fundo amoroso, ainda que com um pé na sociedade sua contemporânea, o que não deixa de conferir alguma verosimilhança à narrativa.
Descubra por que razão “uma noite não são dias” e sorria com o final da novela. Não vai conseguir parar de ler.

O Senhor Calvino

A janela
Uma das janelas de Calvino, a com melhor vista para a rua, era tapada por duas cortinas que, no meio, quando se juntavam, podiam ser abotoadas. Uma das cortinas, a do lado direito, tinha botões e a outra, as respectivas casas.
Calvino, para espreitar por essa janela, tinha primeiro de desabotoar os sete botões, um a um. Depois sim, afastava com as mãos as cortinas e podia olhar, observar o mundo. No fim, depois de ver, puxava as cortinas para a frente da janela, e fechava cada um dos botões. Era uma janela de abotoar. (...)
Daquela janela o mundo não era igual.
                                                                                               Gonçalo M. Tavares, in O Senhor Calvino
 http://images.google.com/imgres?imgurl=http://4.bp.blogspot.com/_MLgqwI2sdUM/R5YPum1ZNrI/AAAAAAAAACs/IExE_sPHa8U/s320/calvino.jpg&imgrefurl=http://goncalomtavares.blogspot.com/2008/01/o-senhor-calvino.html&usg=__WJ6xqPyVG24rPSqFbA5F9UsgrnQ=&h=320&w=224&sz=10&hl=pt-PT&start=4&um=1&itbs=1&tbnid=yW5ZgI90z0PR2M:&tbnh=118&tbnw=83&prev=/images%3Fq%3Do%2Bsenhor%2Bcalvino%26um%3D1%26hl%3Dpt-PT%26sa%3DN%26rls%3Dcom.microsoft:pt:IE-SearchBox%26rlz%3D1I7ADRA_pt-PT%26tbs%3Disch:1
A colher
 
Para treinar os músculos da paciência, o senhor Calvino colocava uma colher de café, pequenina, ao lado de uma pá gigante, pá utilizada habitualmente em obras de engenharia. A seguir, impunha a si próprio um objectivo inegociável: um monte de terra (50 quilos de mundo) para ser transportado do ponto A para o ponto B – pontos colocados a 15 metros de distância um do outro.
(…) E Calvino utilizava a minúscula colher de café para executar a tarefa de transportar o monte de terra de um ponto para outro (…)
(…) Calvino sentia estar a aprender várias coisas grandes com uma pequenina colher.
                                                                                            Gonçalo M. Tavares, in O Senhor Calvino

O espelho

http://2.bp.blogspot.com/_MLgqwI2sdUM/R497021ZNYI/AAAAAAAAAAU/ijFHRsV8Y3M/s320/c

O senhor Valéry não era bonito. Mas também não era feio.Há muito tempo atrás havia decidido trocar os espelhos por quadros de paisagens. Desconhecia, pois, o seu aspecto exterior actual.O senhor Valéry dizia:
— É preferível assim.
E explicava:
— Se me visse bonito ficaria com medo de perder a beleza; e se me visse feio ficaria com ódio às coisas belas. Assim, não tenho medo nem ódio.
E sem ser bonito nem feio, o senhor Valéry passeava pelas ruas da cidade, olhando, com atenção, para as pessoas com quem se cruzava.Ele explicava:
— Se me sorriem percebo que estou bonito, se desviam os olhos percebo que estou feio.
Teorizando dizia ainda:
 A minha beleza é actualizada a cada instante pela cara dos outros.
Por vezes, depois de se cruzar com alguém que desviava os olhos, o senhor Valéry, percebendo, passava a mão pelo seu cabelo, penteando-se ao mesmo tempo que procurava um outro rosto dentro de si próprio, agora mais agradável.O senhor Valéry comentava, em jeito de conclusão:
— O espelho é para os egoístas.
— E o desenho? — perguntaram-lhe.
— Hoje não há desenho — respondeu o senhor Valéry, e despediu-se logo de todos com um movimento brusco, mas gentil.As pessoas gostavam do senhor Valéry.
                                                                                             Gonçalo M. Tavares, in O Senhor Valéry

O Valor do Vento

Está hoje um dia de vento e eu gosto do vento
O vento tem entrado nos meus versos de todas as maneiras e
só entram nos meus versos as coisas de que gosto
O vento das árvores o vento dos cabelos
o vento do inverno o vento do verão
O vento é o melhor veículo que conheço
Só ele traz o perfume das flores só ele traz
a música que jaz à beira-mar em agosto
Mas só hoje soube o verdadeiro valor do vento
O vento actualmente vale oitenta escudos
Partiu-se o vidro grande da janela do meu quarto
                                                Ruy Belo, in Todos os Poemas, Assírio & Alvim

A Cerejeira em Flor

O camponês afeiçoou-se a uma cerejeira desde que sua mulher faleceu. Todas as manhãs a visitava, afagando seu tronco. No mês em que o camponês esteve de cama, com bronquite, também a cerejeira adoeceu. Depois levantou-se e voltou a acariciá-la e a falar-lhe e, rapidamente, a cerejeira de mil folhas enfeitou seus ramos.
Um dia, no mercado, ao comprar uma foice, o camponês sentiu um irresistível desejo de regressar aos seus campos. Parecia-lhe que a cerejeira precisava de si. Encontrou-a toda florida, sorrindo para ele.
Sentou-se, então, sob a árvore, com as costas apoiadas no tronco e, de improviso, sobre o corpo do camponês, choveram todas as pétalas da cerejeira em flor.
 
                                 Tonino Guerra, Histórias para uma Noite de Calmaria, Assírio & Alvim, p.21
 

Poema e VIDA

Páscoa é sinónimo de Renovação, de Existência, de Poesia, de VIDA...
Eis um poema de Nuno Júdice, "para que poema e vida coincidam"...
 
Use o poema para elaborar uma estratégia
de sobrevivência no mapa da sua vida. Recorra
aos dispositivos da imagem, sabendo que
ela lhe dará um acesso rápido aos recursos
da sua alma. Evite os atolamentos
da tristeza, e acenda a luz que lhe irá trazer
uma futura manhã quando o seu tempo
se estiver a esgotar. Se precisar de
substituir os sentimentos cansados
da existência, reinstale o desejo
no painel do corpo, e imprima os sentidos
em cada nova palavra. Não precisa
de dominar todos os requisitos do sistema:
limite-se a avançar pelo visor da memória,
procurando a ajuda que lhe permita sair
do bloqueio. Escolha uma superfície
plana: e deslize o seu olhar pelo
estuário da estrofe, para que ele empurre
a corrente das emoções até à foz. Verifique
então se todas as opções estão disponíveis: e
descubra a data e a hora em que o sonho
se converte em realidade, para que poema
e vida coincidam.
 
Nuno Júdice, “Guia de Conceitos Básicos”,
in Revista Neo, n.º 9, 2009
http://www.esfmp.pt/biblioteca/poema-e-vida