Professora Manuela Banha

Tudo é efémero
ontem escutava a tua voz
hoje só o vento
Tolentino Mendonça, in A papoila e o monge, Assírio&Alvim
 
Na nossa humilde ausência de palavras, a poesia ecoa alto e traduz a presença na ausência, o preenchimento no aparente vazio. Assim ressoam os versos dos poetas Tolentino Mendonça e Sophia de Mello Breyner Andresen, como forma singela de a Escola Secundária Fernão Mendes Pinto homenagear a professora, artista e amiga Manuela Banha, que discretamente trabalhou largos anos nesta instituição, deixando em todos marcas da sua simpatia, proximidade e obra artística. 

Quando
 
Quando o meu corpo apodrecer e eu for morta
Continuará o jardim, o céu e o mar,
E como hoje igualmente hão-de bailar
As quatro estações à minha porta.
 
Outros em Abril passarão no pomar
Em que eu tantas vezes passei,
Haverá longos poentes sobre o mar,
Outros amarão as coisas que eu amei.
 
Será o mesmo brilho, a mesma festa,
Será o mesmo jardim à minha porta,
E os cabelos doirados da floresta,
Como se eu não estivesse morta.
Sophia de Mello Breyner Andresen, in Obra poética, Caminho
 
A Escola Secundária Fernão Mendes Pinto expressa o seu pesar a familiares e amigos da professora Manuela Banha, na certeza, porém, da sua presença no património material e imaterial da comunidade, perpetuando “o mesmo brilho, a mesma festa”, “o mesmo jardim [à nossa] porta”.
As exéquias terão lugar hoje, sexta-feira, na Igreja Paroquial de Almada, a partir das 16h e amanhã, sábado, às 9h30, partindo para o cemitério de Vale Flores, no Feijó, no qual o corpo será cremado às 10h.