Biblioteca Escolar

Desafio superado!

No âmbito do Projeto Pessoal de Leitura, a professora Sandra Conceição, que leciona Português ao ensino secundário, lançou-me o desafio de ir às suas turmas exemplificar uma metodologia diferente de apresentação de uma obra literária.
Lembrei-me de um artigo que lera recentemente no blogue da RBE sobre o Knolling literário. A técnica Knolling é utilizada com frequência no mundo da fotografia publicitária, podendo ser adaptada à realidade educativa, neste caso, como estratégia para fomentar o gosto pela leitura e pelos livros.
A propósito da época natalícia que se aproximava, selecionamos o conto NATAL de Miguel Torga (de Os Contos da Montanha) para a demonstração da metodologia. Os alunos aderiram muito bem à ideia de tentarem seguir esta técnica que é, no fundo, uma materialização das ações da história por via da exposição de objetos significativos.Assim, os objetos representam o essencial da história que acabarão por se traduzir numa sinopse visual.
Seguidamente, para ambas as turmas (11º2 e 11º7) optamos pela leitura da obra UMA TERRA PROMETIDA, uma antologia organizada por José Fanha. Trata-se de um livro que contem nove contos distintos sobre refugiados, de nove autores portugueses diferentes . Cada turma formou vários grupos e cada grupo analisou um conto diferente. Para além da narração da história, os alunos fizeram uma análise crítica, quase sempre baseada nos objetos selecionados. E ainda houve espaço para perguntas e observações no final de cada apresentação.
Julgo que a atividade resultou em pleno, uma vez que foi visível o interesse dos alunos. Aliás, houve mais atenção e motivação quanto mais cuidado e adequação os alunos demonstraram na seleção dos objetos.
Quem quer experimentar também?
Alexandra Alves(PB)

Parceria com o Centro Cultural Fernão Mendes Pinto

A Escola Secundária Fernão Mendes Pinto é parceira no Programa Intercultural “Almada na Rota do Oriente”, um projeto de Almada Mundo Associação Internacional e do Centro Cultural Fernão Mendes Pinto.
Tendo tido em tempos um Centro de Estudos dedicado a Fernão Mendes Pinto, não queremos deixar cair o nome e a obra do nosso Patrono. Vemos, portanto, esta parceria como uma excelente oportunidade para contribuir para o seu reconhecimento como figura quinhentista importante tanto para a nossa cidade como para o nosso país. Como refere este projeto, queremos celebrar Fernão Mendes Pinto “exaltando a universalidade da Peregrinação, obra de referência humanista, histórica e literária. Neste contexto, procura-se recuperar esse legado e transportá-lo para homenagear a fórmula da interculturalidade que marcou a odisseia dos Portugueses pelo Oriente.”
A BE e o GPRE têm previstas algumas ações no âmbito do projeto, a saber
- a nossa participação nas atividades agendadas do programa cultural;
- o lançamento de um concurso de leitura para os alunos do 3º ciclo em que o livro em análise é Missão Impossível (de Ana Maria Magalhães e Isabel Alçada) da Fundação Jorge Álvares;
- pelo menos, uma visita de alunos de origem estrangeira e das suas famílias ao Centro Cultural, por forma a divulgar este espaço de conhecimento, contextualizar o nome atribuído à escola que frequentam e dar a conhecer um pouco da importância da obra de Fernão Mendes Pinto. Associada a esta iniciativa está também uma visita guiada à exposição de fotografia de Mónica Gaspar “Macau em Contraste (2010-2018)”;
- o acolhimento na Biblioteca Escolar da exposição de fotografia de Mónica Gaspar “Macau em Contraste (2010-2018)”;
- a doação de um pequeno espólio de 54 monografias sobre Macau e o Oriente em geral.
 Estamos entusiasmados com esta parceria!

Isabela Figueiredo na Fernão

O auditório repleto de alunos e professores esperava com ansiedade a sessão com a escritora. Os alunos – 10º5, 11º7, 12º3/6 e 12º3/4 - sabiam que a autora era bastante conhecida, sobretudo em Portugal e no Brasil. Sabiam que o seu primeiro livro, Caderno de Memórias Coloniais, já ia na 11ª edição, sabiam que A Gorda era um livro recomendado e que o último romance falava da solidão e, de alguma forma, da proteção dos animais. O que não sabiam era que Isabela é uma simpática comunicadora, uma autora conhecida mas muito acessível. De facto, Isabela Figueiredo dirigiu-se aos alunos com a ternura e a compreensão de professora, privilegiando o diálogo e a interacção com os adolescentes. Disponibilizou-se a falar dos seus livros, do seu passado e da importância deste na sua escrita. Ou melhor, percebemos que a desconstrução do passado é algo importante para nos autoconhecermos e autoregularmos a nossa ação. Isabela faz isso com a sua escrita e isso torna-a feliz.
A conversa que tivemos com a escritora fez-nos lembrar de que só se é feliz quando se faz o que se gosta!

ISABELA FIGUEIREDO

A convite da BE, Isabela Figueiredo vem à nossa escola no dia 31 de outubro de 2023. Esperamos a sua visita com ansiedade e muita expetativa até porque Isabela foi professora de Português na Fernão durante uns anos.
Foi em 2009, com a publicação de Cadernos de Memórias Coloniais, que a escritora ficou conhecida do grande público. O seu sucesso consolidou-se, sem dúvida, em 2016, com a publicação do seu primeiro romance A Gorda.
Este livro conta a história de Maria Luísa que, tal como a autora, vem de Moçambique após o 25 de abril. Maria Luísa relata, com sinceridade e sem polimento, as histórias das suas relações familiares, amorosas e de amizade. Histórias estas que considera, em parte, condicionadas pelo seu aspeto físico. São “quadros de intenso dramatismo que não deixa ninguém indiferente.” (Ed. Caminho)
A propósito de A Gorda, escreve a professora Margarida Paiva, da equipa da BE, o seguinte: “Emergem deste romance a força e a resiliência que nos fazem seguir em frente com a nossa existência, sem qualquer margem para desistir do rumo por nós traçado. Arrebatador!”
O seu último romance, de 2022, intitula-seUm Cão no Meio do Caminho. Este e os outros dois livros já mencionados podem ser adquiridos na Biblioteca Escolar para que a autora os possa autografar no dia em que vem visitar a Escola.

Finalmente a inauguração!

No dia 27 de Setembro de 2023 foi finalmente inaugurado o Jardim das Tartarugas.
A renovação deste espaço é a concretização de um sonho, o de estender a biblioteca ao jardim, criando espaços aprazíveis de convívio e de leitura, no exterior, para usufruto de toda a comunidade escolar.
Este projeto, no âmbito do 14/20 Movimento a Ler do PNL, foi possível graças a uma candidatura conjunta da BE /GPRE com a Associação “O Mundo do Espetáculo” (ACOME) bem como ao apoio da direção.
Neste processo, não quisemos colocar de fora os alunos e, no ano passado, alunos do professor António Barreira fizeram vários estudos de renovação do jardim e foi pegando em várias ideias dos múltiplos projectos apresentados, e de acordo com o reduzido orçamento, que concretizamos esta renovação. Optámos por colocar na parede disponível uma passarola – trabalho da aluna Eva Sousa, vencedor de um concurso da BE aquando do centenário do nascimento de Saramago em 2021 - e incluímos uma citação deste autor. Porque foi Saramago que nos lembrou que “Além da conversa das mulheres, são os sonhos que seguram o mundo na sua órbita.”
A BE deseja que doravante os alunos e os professores desta escola possam realmente desfrutar muito mais deste jardim, inspirarem-se nele para continuarem a sonhar.
Mia Couto disse : “O escritor não é o que escreve bem, mas aquele sujeito que tem histórias e faz o leitor viajar dentro dele”. Pois este jardim, o Jardim das Tartarugas, é um local privilegiado para o leitor fazer estas viagens, lendo e dando asas à sua imaginação.
Agradecemos, sobretudo, o empenho e dedicação da Catarina Pé-Curto, da ACOME, que acompanhou o projeto desde o início e também a disponibilidade e o esforço que o nosso assistente operacional, Sr. Agostinho, sempre manifestou.
Para marcar este momento, convidámos alguns alunos e professores a participar, as alunas do 8º1, Sara, Carolina, Mariana e Filipa que cantaram e tocaram A Pedra Filosofal (poema de António Gedeão) e para a declamação de alguns poemas, o Miguel e a Joana do 8º3, a Isabel Luís do 11º3 e a professora Margarida Paiva, da equipa da BE, bem como a senhora diretora, Leonor Borges.

Bom ano letivo 23-24!

A equipa da Biblioteca Escolar deseja a toda comunidade escolar um excelente ano letivo! Como sempre, estaremos aqui para vos apoiar e acompanhar!
Votos de muitos sucessos!

Sugestão de Leitura para Férias da Madalena

«Longa Pétala de Mar» é um livro que faz emergir sentimentos melancólicos e empáticos, não é muito exaustivo e apresenta uma leitura fácil.
Na minha perspetiva, a história deste livro aborda temas relevantes e tocantes, o que acabou por me sensibilizar, tenho que admitir que chorei.
Um bónus deste livro é também a escrita das personagens principais e o foco da sua vida depois da guerra.
Por fim, queria recomendar este livro àqueles que gostam de se sentir vivos, com apenas palavras, e também àqueles que se interessam, sobretudo, pela temática das guerras civis.
Madalena Trigueiros, 10º5

Internet Segura prepara férias

A Direção-Geral da Educação, no âmbito do Centro de Sensibilização SeguraNet, com o apoio da Geração Cordão e do Instituto de Apoio à Criança, divulga de novo a Campanha “Férias: um lugar tecno saudável!”, que visa sensibilizar crianças e jovens para o uso saudável da tecnologia durante o período das férias escolares. 
Esta campanha, dirigida a pais/encarregados de educação e a todos os agentes educativos, propõe uma viagem a esse lugar especial, onde todos poderão desfrutar de férias em segurança, e onde é privilegiado o bem-estar físico e mental. Consulte a brochura com recomendações para o uso saudável da tecnologia.
Para além dos testemunhos do Professor Daniel Sampaio e da Professora Ivone Patrão, várias figuras públicas aderiram a esta campanha: Pedro Fernandes (humorista, apresentador), Ana Marques (apresentadora de televisão), Sónia Morais Santos (jornalista e criadora de conteúdos digitais) e Margarida Beja (nutricionista e criadora de conteúdos digitais). Consulte as recomendações para o uso saudável da tecnologia.
Sugere-se que a campanha seja disseminada não só na comunidade educativa, através dos diretores de turma ou professores titulares de turma, que contactam com os pais e encarregados de educação, como também em autarquias, nos programas de férias escolares e nas associações juvenis.
Mais informações em: https://www.seguranet.pt/pt/campanha-ferias-um-lugar-tecno-saudavel.

A BE recomenda a leitura do site!

Uma lição de vida partilhada

A intuição da professora Sandra Conceição, professora de Português, ao identificar o nome de família VAN UDEN, num dos seus alunos da turma 4 do 11º ano, levou-nos à descoberta da extraordinária personalidade e história de vida de Dona Maria Adelaide de Bragança pela mão da sua biógrafa Raquel Ochoa, espelhadas no livro “Dona Maria Adelaide de Bragança - A Infanta Rebelde”(2011).
Mas, afinal, quem foi Dona Maria Adelaide de Bragança?
Dona Maria Adelaide de Bragança, bisavó do nosso aluno, foi a filha mais nova de D. Miguel II e de Maria Teresa de Löwenstein-Wertheim-Rosenberg. Viveu, no exílio, na Áustria, na Alemanha e na Suíça, tendo vindo para Portugal em 1949, já casada com Nicolaas van Uden. Acabaram por se estabelecer na Margem Sul, em Murfacém, perto da Trafaria, onde a infanta desenvolveu diversas iniciativas de cariz social.
Corajosa, viveu sem medo e sempre em consonância com os seus valores de resiliência, liberdade e justiça social, ao ponto de ser duas vezes encarcerada pelos nazis durante a Segunda Guerra Mundial, chegando mesmo a dar o que tinha (e o que não tinha) aos mais necessitados.
Exemplo de humildade e generosidade, Maria Adelaide de Bragança é também retratada na obra de Raquel Ochoa como rebelde. É, de facto, a sua rebeldia que define esta personalidade humanista e visionária incomparável. Como refere a escritora, “ Por ser esperta, dava-se ao luxo de ser rebelde.”
Este foi então o mote para os trabalhos que os alunos da turma do 11º4 desenvolveram na disciplina de Cidadania e Desenvolvimento, com o acompanhamento da professora Conceição Oliveira, a partir de nove excertos do livro, selecionados pela equipa da BE.
A exposição destes mesmos trabalhos intitulou-se “Dona Maria Adelaide – 100 anos de rebeldia” com destaque para diversos episódios marcantes da sua vida (1912-2012).
No dia 25 de maio, na presença de Dona Filipa Bragança-Van Uden, avó do nosso caro aluno, Raquel Ochoa, escritora portuguesa premiada e autora de livros de variados géneros literários, fez uma intervenção interessantíssima e muito calorosa junto dos nossos alunos e convidados, tendo falado com admiração e muita emoção daquilo que foi a sua experiência pessoal ao privar com a Infanta.
Ficou agradecida pelo trabalho realizado na escola e surpreendida com a pertinência das questões dos alunos, nomeadamente dos alunos da turma 3 do 11º. ano. Os jovens são o nosso futuro, lembrou a escritora.
A escritora pediu para não deixarmos de desafiar os alunos e também para divulgarmos estes exemplos incríveis de vida, como o da Infanta. E prometeu voltar.
 
Para a próxima, a temática poderá ser a das viagens, quem sabe?

Ler no Jardim das Tartarugas

No âmbito da iniciativa MOVIMENTO 14/20 a Ler (PNL), o projeto MOVE IN  pôde proporcionar experiências muito diversificadas e enriquecedoras aos alunos da Fernão Mendes Pinto durante três anos, mais concretamente de janeiro de 2020 a dezembro de 2022. Com a colaboração da coordenadora do GPRE (Gabinete de Projetos e Relações com o Exterior), drª Lurdes Cruz, e com a fantástica parceria com a Associação “O Mundo do Espetáculo”, a Biblioteca Escolar desenvolveu múltiplos projetos de leitura como, por exemplo, podcasts, um clube de leitura, sessões de hora do conto, teatralizações), visíveis no site do projeto  https://moveinesfmp.wixsite.com/movein.
No último semestre do projeto, na linha do desenvolvimento do bem-estar da comunidade escolar, surgiu a ideia de renovar o Jardim das Tartarugas, espaço exterior contíguo à biblioteca, no sentido de promover atividades ligadas à leitura, num ambiente aprazível. O desafio foi lançado à turma 12º8, de Artes Visuais, que desenhou diversos projetos para o jardim. Seguidamente e a partir dos mesmos, o projeto MOVE IN criou um projeto para o jardim visando a restauração do mobiliário, a recuperação de plantas, mas sobretudo a inclusão de elementos gráficos alusivos à leitura. Tem sido um trabalho moroso e difícil, mas estamos em crer que o espaço exterior poderá ser uma extensão da biblioteca, enquanto espaço pedagógico, social e criativo,  um espaço de lazer mas também um local propício às aprendizagens.
Já dizia Cícero que se tivermos um jardim e uma biblioteca, temos tudo o que precisamos!