Achei o livro fabuloso.
Imergi na história na pele da personagem principal (Dona Alberti), vivendo a narrativa pela descrição genuína dos seus sentimentos e pela narração simples das suas ações e daquelas que presencia. Do princípio ao fim, experimentei as suas emoções – sorri com ela, emocionei-me com ela, indignei-me com ela. Lendo o romance, somos a Dona Alberti.
Lídia Jorge disse ter escrito este romance a pedido da sua mãe, que morreu vítima da covid-19, “para que se tivesse compaixão pelas pessoas e as tratássemos como se fossem pessoas na plenitude da vida”. De facto, o Hotel Paraíso, nome da residência para idosos onde está Dona Alberti, torna-se palco de misericórdia, como se este lar fosse uma antecâmara entre a Terra e o Céu, o local onde a protagonista e o leitor acabam por entender o outro, criar empatia e ganhar respeito por ele.
Num corpo desgastado mas com uma consciência lúcida, a narradora testemunha o que é globalmente a Humanidade e o que é o ser humano, no particular. Escreve Lídia Jorge: “O Planeta com muitas nações, mas a Humanidade só uma e apenas com duas espécies, os fiáveis e os assaltantes.”( pág. 357)
Apesar de ser uma obra dura e da narradora ser regularmente assombrada pela morte, MISERICÓRDIA é, nas palavras da escritora, “sobre o esplendor da vida” e “a crença em valores”. ( in Observador de dia 5 de outubro de 2022)
É decerto um livro a requisitar e a ler!
Saber mais:
https://www.dn.pt/cultura/lidia-jorgea-imortalidade-da-esperanca-1536893...
PB-Alexandra Alves
Misericórdia - sugestão de leitura
Enviado por biblioteca em Dom, 15/01/2023 - 22:40

