A inventividade da escola

 
“…os estudos curriculares que apontam para uma intervenção mais ativa do professor no processo de desenvolvimento do currículo, outorgando-lhe a função de agente participante, de decisor e de investigador, contribuíram para a emergência de novas formas de encarar a formação de professores que ultrapassam a linha da racionalidade técnica.”
Maria Assunção Flores, in “Currículo, formação e desenvolvimento profissional” (2000:148)

O homem, medida de todas as coisas, em que o respeito pelos diferentes ritmos é central - do ritmo frenético ao pausado, passando pelo da contestação e do sonho, para encontrar o ritmo dos ritmos, da comunhão, da cumplicidade, de trocas contagiantes -- foi uma das teses defendidas na sessão inaugural dos Encontros na Fernão sobre “Políticas e Práticas Educativas”.

Este cenário é hoje contrastado e simultaneamente complementado pelas tecnologias da informação e comunicação (TIC), que atravessam e subsidiam o processo de ensino-aprendizagem, mas também por uma visão sempre renovada do professor como agente decisor do currículo, não entendido do ponto de vista mais técnico e formal (os programas) mas na sua dimensão prática e social, que cabe a cada um interpelar e implementar de forma inovadora, rigorosa e crítica, posto que a escola é lugar de inventividade, que se expressa de múltiplos modos: da diferenciação pedagógica ao trabalho colaborativo; da apropriação da leitura do ponto de vista instrumental à ponte para o ato de escrever; da avaliação dos produtos à avaliação dos processos; da centralização à autonomia e interdependência de decisões e de ações; da centração nos conteúdos à pulverização dos métodos pedagógicos, mais ou menos ativos, mais ou menos refletidos, mais ou menos inventivos.

A escola, assumida como realidade complexa, paradoxal, que corporiza novos desafios sociais e estratégicos, no limiar do século XXI, cuja frenética evolução é difícil de perspetivar no futuro, tem apenas como garantia a necessidade de profissionais empenhados, reflexivos, que imprimem no quotidiano a marca da mudança sustentada, de uma prática fundamentada, num processo de investigação-ação, distintivo da profissionalidade docente.

Foi o que o demonstrou a mais de uma centena de professores de várias escolas concelhias que se juntaram na Escola Secundária Fernão Mendes Pinto para participarem, a 25 e 26 de maio, nos Encontros na Fernão.

Pela qualidade científica e/ou expositiva dos convidados, pela capacidade de síntese e estímulo dos moderadores e pelo interesse da plateia – mesmo ao longo de um dia de sábado -, o prosseguimento dos Encontros na Fernão está garantidamente assegurado.

Para que tão relevante evento fosse possível, muito contribuiu a organização subjacente, de que se destacam, a título de exemplo, a insonorização da sala e a integração, no contexto, dos alunos do Curso Profissional de Organização de Eventos.

A todos, bem hajam!

Maria Carla Crespo

Professora Bibliotecária