“Cada um de nós é por enquanto a vida. Isso nos baste."
José Saramago, in Provavelmente Alegria
JOSÉ SARAMAGO - MEMORIAL (16 de Novembro de1922 – 18 de Junho de2010)
Atacou a Bíblia, desprezou Cavaco Silva, falou da morte e sugeriu a integração de Portugal em Espanha. Todas as frases de José Saramago tinham uma coisa em comum: controvérsia.
Ao longo da próxima semana, a Escola Secundária Fernão Mendes Pinto recordará o Nobel da Literatura. Se ainda estivesse entre nós, José Saramago cumpriria 88 anos de existência no próximo dia 16 de Novembro. É essa existência, insubmissa e inquieta, que celebraremos através da leitura de poemas, exposições, projecção de filmes e documentários.
José Saramago nasceu na aldeia ribatejana de Azinhaga, concelho de Golegã, no dia 16 de Novembro de 1922, embora o registo oficial mencione o dia 18. Seus pais emigraram para Lisboa quando ele ainda não perfizera três anos de idade. Toda a sua vida decorreu na capital, embora até ao princípio da idade madura tivessem sido numerosas e às vezes prolongadas as suas estadas na aldeia natal. Fez estudos secundários (liceal e técnico) que não pôde continuar por dificuldades económicas.
No seu primeiro emprego foi serralheiro mecânico, tendo depois exercido diversas outras profissões, a saber: desenhador, funcionário da saúde e da previdência social, editor, tradutor, jornalista. Publicou o seu primeiro livro, um romance ("Terra do Pecado"), em 1947, tendo estado depois sem publicar até 1966. Trabalhou durante doze anos numa editora, onde exerceu funções de direcção literária e de produção. Colaborou como crítico literário na Revista "Seara Nova".
Em 1972 e 1973 fez parte da redacção do Jornal "Diário de Lisboa" onde foi comentador político, tendo também coordenado, durante alguns meses, o suplemento cultural daquele vespertino. Pertenceu à primeira Direcção da Associação Portuguesa de Escritores. Entre Abril e Novembro de 1975 foi director-adjunto do "Diário de Notícias". A partir de 1976 viveu exclusivamente do seu trabalho literário.
Faleceu em Tias, na ilha de Lanzarote, arquipélago das Canárias (Espanha) no dia 18 de Junho de 2010. Autor duma vasta e por vezes polémica obra, foi nomeado Prémio Nobel da Literatura em 1998.