"De manhã bem cedo, embarcámos para aquela que seria a melhor aventura das nossas vidas! A viagem de barco assemelhou-se a uma montanha-russa marítima, na qual o barco balançava ao sabor e vontade das vagas."
É assim que a Carlota Mendonça começa o relato da aventura que as turmas do 12º ano de Biologia viveram de 3 a 5 deste mês. Já um clássico das saídas da Fernão, podem ver AQUI as fotos da odisseia.
Berlengas, uma viagem ao paraíso
De malas às costas, armadilhados com abafos e mantimentos para três dias (na realidade, pareciam para uma semana!), partimos de Almada rumo a Peniche. A nossa última refeição sem ser à base de conservas e comida pré-feita teve lugar numa tasca bastante acolhedora em Peniche. Enchemos a barriguinha com um belo frango frito, que o professor andou a comer na ilha por mais um dia!
Bastante empolgados com a viagem de barco do dia seguinte, fomos repousar. O grupo dividiu-se pela oficina e pelo barco do Sr. Júlio. Como devem calcular, as horas de sono foram escassas!
De manhã bem cedo, embarcámos para aquela que seria a melhor aventura das nossas vidas! A viagem de barco assemelhou-se a uma montanha-russa marítima, na qual o barco balançava ao sabor e vontade das vagas. Numa atmosfera de animação e ansiedade, houve um viajante que não conseguiu conter o enjoo e ficou um pouco azamboado com tanto sobe e desce, mas nada que a boa disposição do grupo e a vontade de chegar à ilha não resolvessem!
Eis que surge terra junto à linha do horizonte! A sombra dos contornos da ilha sobressaía no azul do céu e as máquinas começaram a disparar flashes, captando a beleza da Natureza, sem deixar escapar a Tromba do Elefante. Com os pés em terra firme, formamos um cordão humano e levámos a bagagem para a fortaleza. Na fortaleza, o cenário foi de limpezas, rapazes e raparigas agarraram-se a panos, esponjas e vassouras e limparam os quartos que iriam ocupar, bem como os armários da comida. Todos estavam embasbacados com a beleza da Natureza e com o silêncio que se fazia sentir!
O primeiro trabalho na ilha foi analisar a zona de marés e toda a biodiversidade aí existente, foi também o primeiro banho do grupo, para os mais corajosos, numa água que prima pela transparência e pelas baixas temperaturas. Ao final da tarde, colocámo-nos na primeira fila para observar o esplêndido pôr-do-sol. A noite foi dedicada à observação de constelações num céu repleto por pontos brilhantes. Dirigimo-nos ao telhado da fortaleza, e aí ficámos embebidos no silêncio e entretidos a ouvir as histórias do professor na ilha. Foi nessa altura que tomámos conhecimento do Parreira, o fantasma.
A alvorada foi cedo, mas a manhã foi calma, recheada com banhos e brincadeiras. A tarde de Sábado foi dedicada a um passeio completo pela ilha, entrelaçado com pequenos trabalhos de campo: foi altura de observar a fauna, a flora, o comportamento das gaivotas e fazer a reconstituição do passado geológico da ilha. No regresso à fortaleza, trouxemos um acompanhante, o Farol, um cão bastante simpático pelo qual uma das raparigas ficou embevecida. Nessa noite, aventurámo-nos pela ilha e fomos observar as Pardelas, uma espécie de ave. Foi um momento único, pois estivemos muito próximo delas!
A vida na ilha estava a ser óptima, chegámos lá como indivíduos urbanos e saímos como verdadeiros sobreviventes! A viagem de regresso foi calma, íamos a favor da corrente e do vento. Avistando o cais e os nossos familiares, sentimo-nos reconfortados, apesar de termos no nosso íntimo a ideia de querer voltar e as recordações de uma bela aventura na Natureza!
Carlota Mendonça