A descoberta do "eu"

 
A descoberta do “eu”, do nosso “eu”, é um processo difícil. Sem repararmos, passamos grande parte do tempo a tentar desvendar os mistérios dos outros, que tanto nos intrigam, mas somos incapazes de resolver os próprios problemas.
Tal como José Tolentino Mendonça afirmou, “a arte trabalha a ausência”, a ausência de uma ideia de “eu”. Como grande parte da raça humana, eu mesma ainda não descobri quem sou; já mencionei que não é fácil saber quem somos, porém é fácil tentar. A arte desempenha um papel importante nesta viagem à descoberta do “eu”.

A obra Aparição, de Vergílio Ferreira, é um auxílio literário. Esta obra de arte ajuda quer o leitor, quer o próprio narrador a refletirem sobre a sua existência; são constantes as interrogações sobre si mesmo e sobre o que lhe é transcendente (a morte, por exemplo), e com elas vamos, inconscientemente, respondendo aos nossos dilemas.
A maneira mais fácil de nos descobrirmos é encontrar resposta para as nossas interrogações mais difíceis ou absurdas, embora tenhamos tendência para as questionarmos.
A arte ajuda a estabelecer uma ligação entre o “eu” e o transcendente, porque a arte não tem limites; a arte é uma transcendência por si mesma. Por exemplo, em Aparição, Alberto Soares relaxa ao ouvir a música, quase que angelical, de Cristina; a música acalma-o, ajuda-o a encontrar-se no meio de todas as questões que o submergem diariamente. Tal como a Alberto Soares, a arte também nos acalma. Quantas vezes nos encontramos a ouvir música e, de repente, com o auxílio da paz que lhe é característica, encontramos uma resposta, temporária ou não, para uma questão que nos inquieta?
A arte cria uma ponte entre o ser humano e o que lhe é transcendente, pois ao desligá-lo do mundo, liga-o a ele mesmo.

Susana Tavares, 11º6, aluna de Literatura Portuguesa
(texto produzido após o estudo da obra Aparição, de Vergílio Ferreira)