Arte é a máquina que nos transporta para um mundo onde reina o fantástico, o magnífico, o celestial. “É um trabalho sobre o tempo”, uma reflexão sobre o que cada um vivencia, sobre o que cada indivíduo vê dentro de si e é impossível que os outros vejam. Arte é a tela onde nos pintamos, é o livro onde nos descobrimos, é a música onde vemos o nosso verdadeiro “eu”, a nossa identidade, onde nos conjugamos com o que ouvimos.
Ver e ter noção do que é arte é compreender o que está por detrás, é sentirmo-nos o artista e incorporarmos as suas experiências, as suas emoções, de forma a atingirmos cada pormenor até ao significado da obra. Através dela é possível encontrarmo-nos, assemelharmo-nos a determinadas vivências, determinados sentimentos transmitidos, e assim todo um corpo é transfigurado, procurando instintivamente a sua essência, aquilo que o compõe, tendo a arte como ponto de partida para uma viagem interior.
Uma viagem interior em que o ser humano, o “eu” tenta encontrar na arte o transcendente, o que ultrapassa os limites terrenos, o que não se consegue alcançar com as mãos mas que ao mesmo tempo é capaz de se fazer sentir como uma força arrebatadora, que faz com que o “eu” se identifique e se sinta num ambiente de paz, um ambiente favorável ao encontro consigo mesmo.
Lenise Rosário, 11º6, nº19 (texto produzido numa aula de Literatura Portuguesa, sobre a relação entre a identidade do "eu", a arte e a transcendência)