Visita de estudo à Serra da Arrábida e aos Moinhos de Vento de Palmela

Nos dias 23 e 24 de abril os alunos das turmas do sétimo ano deslocaram-se em visita de estudo à Serra da Arrábida e aos Moinhos de Vento de Palmela. A visita permitiu a articulação entre várias disciplinas, tendo sido uma oportunidade para a aquisição de conhecimentos relacionados com Geografia, Ciências Naturais, História e Educação para a Cidadania, entre outras, e ao mesmo tempo, envolveu uma importante componente lúdica - as burricadas. Além disso visitaram um moinho de vento onde lhes foi explicado o seu funcionamento e fizeram pão de trigo.

Em ambos os dias a visita iniciou-se com a descida à base da arriba calcária, por um estreito carreiro através da densa floresta mediterrânica primitiva, no Vale do Solitário, até à gruta da Lapa de Santa Margarida, onde os alunos puderam observar o efeito conjunto da abrasão marinha e da carsificação, processos que estão na origem da formação daquela gruta. Observaram formas cársicas – estalactites, estalagmites e magníficas colunas na galeria da gruta.
 
A segunda etapa da visita consistiu na deslocação por entre o “maquis” (machiais) até ao Alto do Jaspe e pedreira do mesmo nome. Pelo caminho observaram o carrasco arbóreo e arbustivo, e uma grande variedade de arbustos como a murta, o aderno, a aroeira, o lentisco, o medronheiro, entre outros.
 
No Alto do Jaspe observaram a Serra do Risco, qual onda petrificada, e o declive que desce do Píncaro, o ponto mais alto dessa serra, até à base da arriba – um desnível de 380 m, que faz dessa serra a escarpa litoral calcária mais elevada da Europa.
 
Ali, consta que teve início a abertura do Atlântico há cerca de 115 milhões de anos e que por isso, a massa continental que hoje é a América, estava próxima. Na pedreira do Jaspe a professora Lourdes Albano, explicou a origem e a importância da Brecha da Arrábida, “uma das mais características rochas sedimentares do país” de grande valor económico.
 
A visita prosseguiu depois, serra acima, de autocarro, passando junto ao convento da Arrábida. Do cimo da Serra os alunos puderam observar outras formas de costa, próximas da foz do Sado: a península de Troia, a pedra da Anicha, frente à praia de águas calmas, mas frias, do Portinho da Arrábida, cordões litorais e restinga. Para norte, os alunos puderam observar a expansão urbana em direção a sul das aglomerações da Área Metropolitana de Lisboa e o estuário do Tejo ao longe. Na descida viram ainda o impacte da atividade da cimenteira Secil na paisagem do Parque e a tentativa de reflorestação por parte dessa empresa, que usa o calcário da serra como matéria-prima. Atravessámos a cidade portuária e industrial de Setúbal e subimos depois, novamente em direção a Palmela, onde os alunos puderam almoçar, e aprender na prática e na teoria, todo o processo da feitura do pão, desde a sementeira do trigo, até à mesa. Em suma, os alunos estiveram literalmente, com as mãos na massa. Já perto do fim da visita andaram no dorso de burros teimosos mas divertidos (estes animais tinham um papel importante na economia da região, pois eram o principal meio de transporte dos moleiros, nas suas idas e vindas aos moinhos por caminhos pedregosos) e visitaram um moinho de vento. 
 
Antes do regresso a Almada, os alunos aprenderam um pouco da história e da importância do castelo de Palmela na região, assim como, acerca dos principais produtos daquele concelho.
 
Foi uma visita muito proveitosa, divertida e enriquecedora. O regresso foi animado. Valeu a pena.